11/05/2018

Janelas para o mundo - Coluna

Por Niqui Lang - empreendedor e entusiasta, professor de inglês e diretor da Hey Peppers! Santo Augusto
 
Comunicar-se é uma necessidade básica dos seres humanos. A capacidade de trocar ideias, compartilhar sentimentos e transmitir conhecimento através das gerações fez o ser humano especial. Desde criança queremos nos expressar, inicialmente por sons incompreensíveis e depois por gestos, choro, meias palavras, mais choro... Até finalmente conseguirmos articular as primeiras palavras e frases completas na língua materna. Ouvimos, enxergamos e seguimos os exemplos de nossos familiares, criamos nossa própria identidade e fazemos uso da língua num contexto natural. 
 
O resultado final desse processo lento e que demanda muito esforço – esforço esse que é parte das nossas vidas e que praticamente não percebemos – é fruto de todos os estímulos recebidos nos primeiros anos de vida, somados à iniciativa em buscar mais conhecimento à medida que o tempo passa. 
 
 
Seguindo esta linha, aprender um segundo idioma pode ser tão simples e natural quando é/foi aprender a língua materna. Aproveitando as melhores janelas de aprendizagem, podemos nos apropriar de outras línguas com muito mais desenvoltura, segurança e efetividade. Isto ocorre porque a plasticidade cerebral de uma criança é muito grande e eficaz, pois o cérebro está preparado para receber conhecimentos de forma ampla – que permite a aquisição da primeira língua e também tantas outras às quais ela estiver exposta. 
 
A partir dos três anos, quando a criança já possui relativa fluência na língua materna, mas ainda não conhece regras gramaticais ou linguísticas, também é possível referenciar a plasticidade emocional como aspecto positivo no processo de aquisição de uma segunda língua. Ao não saber diferenciar o certo do errado, mas sabendo exatamente o significado das palavras, a criança lança mão e faz uso da linguagem. Se for integralmente submetida ao segundo idioma em um contexto que privilegia a comunicação, a criança se apropriará dele tão bem quanto o fez com a língua materna, sem carregar consigo o medo punitivo de receber um “X” com caneta vermelha na sua produção. 
 
Ao iniciar com o domínio de palavras simples em inglês, mais ligadas ao seu cotidiano (isso lhe soa familiar?), a segurança para dar um passo adiante e aprender novas estruturas ou frases completas sobre diferentes assuntos vai aumentando, criando a sensação de naturalidade que é típica dessa fase e que deve ser observada por pais e educadores, derrubando o mito de que é preciso estar alfabetizado para aprender novos idiomas. A naturalidade do processo é a chave para a sua efetividade.